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Cenas

O Beijo

Abril 11, 2022

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Por mais que tentasse recordar não me consigo lembrar do último beijo que lhe dei, talvez por lhe ter dado muitos ou tão poucos que não me consigo recordar do último. No entanto, lembro-me perfeitamente do primeiro que lhe dei. Era de noite e passara a tarde toda com ela. Num momento em que ela falava sobre assunto qualquer, eu olhava para os seus olhos e para os seus lábios, ela olhava-me de volta e falava e as tantas no interrompi-lhe o discurso e tentei roubar-lhe um beijo e ela aceitou e retribuiu e foi bom. Foi o primeiro beijo que lhe dei, o último não me lembro.

Bolas de Fumo

Março 14, 2022

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Houve uma altura que fumava e comecei porquê um amigo meu fumador fazia bolas de fumo, eu achava aquilo espetacular e quis fazer o mesmo e então comprei o meu primeiro maço de tabaco para tentar fazer bolas. Lembro-me de acender o primeiro cigarro no meu quarto decidido a fazer bolas de fumo e não conseguir fazer nenhuma com esse e eu na minha frustração acendi logo outro a seguir e voltei a tentar, e acendi, acendi, acendi ate que finalmente no quinto cigarro seguido fiz a minha primeira bola de fumo. Posteriormente fumei muitos cigarros e fiz muitas bolas de fumo durante imensos anos ate que um dia simplesmente parei de fumar e deixei de fazer bolas de fumo. Não tenho saudades nenhumas de fumar, no entanto, sinto saudades de fazer bolas de fumo.

A Morte

Fevereiro 04, 2022

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Perguntas-te me como morri? Eu tentei explicar-te que não sabia bem como vivera por isso era irrelevante estar a tentar explicar-te os factos que levaram a minha morte, mas tu insistias em saber pormenores e dizias teres tempo para me ouvir e que sabias escutar uma boa história. Eu esfregava as mãos enquanto escutava o estalar da lenha a arder e procurava aquecer-me sem saber o que havia de fazer e olhava para o lume a pedir conselhos, foi então que me sentei longe das chamas e contei-te os últimos momentos em que estive vivo, mas sem saber se eram realmente os meus últimos momentos vivos, se os últimos momentos em que me senti vivo.

Acordei

Janeiro 31, 2022

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Adormeci. Sonhei estar fora da terra e que a lua transportava-me e carregava-me dentro de um cesto de ‘vide’ que viajava a uma velocidade enfurecida através de um meteorito formado por dezenas de fragmentos de asteroides e embora pudéssemos chocar a qualquer instante com um desses asteroides eu não tinha medo porque levava nos braços o urso que tu me tinhas dado e que disseste que enquanto eu o segurasse nada de mal me acontecia porque ele era magico. E foi nesse instante que vi, perto do sol, um planeta apinhado de ursos como o meu que corriam de um lado para o outro a apontar também para mim. Acordei e já não tinha nenhum urso comigo e agora sim, tinha medo.

O Barqueiro

Janeiro 24, 2022

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“Sou Caronte o barqueiro de Hades, que carrega as almas dos recém-mortos sobre as águas do rio Estige e Aqueronte, que dividiam o mundo dos vivos do mundo dos mortos. Deves entregar-me uma moeda para pagar o destino e a travessia do rio para posteriormente conheceres o novo mundo que te aguarda. O Mundo dos Mortos que tem a tua espera Tânato o Deus da Morte que vai guardar a tua alma imortal sob a sua nuvem prateada que arrebata a vida dos mortais”- disse Caronte

A Floresta

Janeiro 17, 2022

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As vezes penso que a vida é como a criança do conto de fadas que vai atravessar a floresta para levar um cesto de bolinhos a avó, mas têm de ter cuidado como o lobo mau. Nesse sentido a nossa vida é um atravessar da floresta constante em que estamos sempre de sentidos atentos porque o lobo mau espreita a cada momento e esta sempre pronto para nos atacar e comer. As vezes fazemos a travessia da floresta acompanhados por outras crianças e nesses momentos podemos descontrair um pouco mais, mas grande parte do trajeto é feito por nós sozinhos em que caminhamos meio perdidos e nunca chegamos ao nosso destino que é a casa da avó, ate o dia em que morrermos e nessa altura chegamos a casa da Avó.

Voar

Janeiro 10, 2022

12.jpgImpediram-me de voar por isso não posso saltar para o vazio porque  caio desamparado e morro esborrachado no chão, mas existiu uma altura em que eu era livre e voava e voava e sentia o vento bater no meu corpo livre enquanto pairava lá no alto e via a terra pequenina em baixo e nada me dava mais prazer do que essa visão de tranquilidade, mas hoje tudo acabou porque estou preso ao destino que me traçaram e impede-me de voar e concretizar os meus sonhos tanto aqueles mais supérfluos como os mais profundos.

A Pegada

Dezembro 27, 2021

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As vezes penso que quando morrer o rasto que deixarei a marcar a minha passagem pela terra será mais pequena que pegada de uma formiga, no entanto, gostava no pouco tempo que me resta conseguir alterar essa situação para que quando partisse tivesse uma marca não como uma pegada de uma formiga mas sim a de um elefante a caminhar na terra mas uma formiga nunca será um elefante.

O Deserto

Dezembro 13, 2021

323.jpgQuando olho para a frente o caminho esta enublado e quando olho para trás também não consigo ver os meus rastos que estão gastos demais para conseguir saber de onde vim por isso é impossível recuar e voltar ao que era eu. Não sei bem para onde vou, apenas sigo em frente arrastando os meus passos na areia que é o meu futuro. Areia que por vezes me parece que quer engolir e comer vivo. Entre a neblina, vejo alguém mas não sei se esta a ir para a frente ou para trás e vou seguindo devagar a caminhar no deserto.

O Presente

Dezembro 06, 2021

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Quantas vezes já nos aconteceu apaixonar-mo-nos pela pessoa errada, aquela que não têm nada a ver com a nossa realidade e que vive num mundo diferente do nosso e, no entanto, criarmos expetativas, ilusões que aquela pessoa é de facto essencial na nossa vida e pensamos que o nosso mundo ira girar simultaneamente com ela para sempre e perdemos o nosso tempo com atos apaixonados que servem apenas para tentar enganar a nossa razão que nos manda libertar as amarras que nós inventamos para calar o chamamento do nosso coração.

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